08/11/2019 - 9 estudos da ciência da dança que podem te ajudar a repensar sua abordagem como bailarino(a)


Na semana passada, o Dance Magazine publicou uma matéria a respeito de alguns dados importantes discutidos na Associação Internacional de Medicina e Ciência da Dança, que reuniu mais de 500 profissionais, todos dedicando suas carreiras ao apoio a dançarinos, em sua 29ª conferência anual em Montreal. Confira!

Alguns estudos respondem algumas dúvidas frequentes de muitos bailarinos e bailarinas. 

Neste encontro, o ex-dançarino do Mark Morris Dance Group e atual diretor do programa Dance for Parkinson, David Leventhal, compartilhou uma nova iniciativa para criar "dados amplos e sem fronteiras" para promover a dança como solução de saúde. 

O que mais esses profissionais estão fazendo para apoiar os dançarinos? Aqui estão alguns dos destaques mais interessantes da conferência.

O treinamento de força poderia reduzir lesões?

Em 2016, foi lançada uma pesquisa na Elmhurst Ballet School, no Reino Unido, para avaliar a eficácia de um programa de força e condicionamento para dançarinos, modelado segundo o regime de prevenção de lesões da FIFA 11+. Antes do programa, os alunos relataram 104 lesões ao longo do ano letivo. Depois que Elmhurst implementou o Dance 11+, que incluiu treinamento de força antes da aula de balé duas vezes por semana, a ocorrência de lesões diminuiu 40%. Houve uma maior redução de lesões entre as dançarinas do que os homens. Você pode conferir o programa no aplicativo 11+ Dance. (Nico Kolokythas, MSc)

As meias acolchoadas funcionam?

Pesquisas da Universidade de Ohio usaram sensores para medir a força nos pés dos dançarinos com e sem meias acolchoadas. Curiosamente, uma dançarina moderna absorve cerca de três vezes o peso do corpo quando cai de um salto. A pesquisa mostrou uma redução na força enquanto usava as meias depois de fazer três saltos salteados e após uma sequência de dança de 40 segundos, embora a redução tenha sido significativamente menor nos saltos do que durante a sequência de dança. Mais pesquisas são necessárias para determinar se as meias reduzem as taxas de lesões. (Jeffrey Russell, PhD, AT)

O estresse afeta a recuperação?

Um estudo realizado na Royal Ballet School analisou o estresse físico e mental e a capacidade de recuperação dos dançarinos. Os resultados mostraram que as dançarinas experimentaram um nível significativamente maior de estresse e eram menos propensas a se recuperar, especialmente no final do ano acadêmico. (Manuela Angioi, PhD)

Quantas vezes os dançarinos se machucam e ficam doentes?

Um estudo na Austrália analisou lesões e doenças por horas de treinamento em dançarinos contemporâneos. Eles começaram com 16 dançarinos saudáveis. Após três meses, 50% exigiram atendimento médico. Aos cinco meses, todos, exceto um, exigiram atendimento médico. Os dançarinos relataram 4,6 lesões para cada 1.000 horas de dança e doença a uma taxa de 9,1 para cada 1.000 horas. Surpreendentemente, as altas taxas de doenças não resultaram em afastamento da dança. (Annie Jeffries, MClinExP)

Que efeito a carga de treinamento tem sobre lesões?

Vários estudos analisaram a carga de treinamento - a intensidade e a frequência do treinamento e do desempenho. Os dançarinos têm altos índices de lesões e doenças, tornando a dança uma "atividade de alto risco". Pesquisadores canadenses descreveram o volume de treinamento e estimativas de lesões de 104 alunos de balé da Alberta Ballet School. Eles mostraram que os aumentos nas estimativas de lesões refletiam aumentos nas horas de exposição à dança. (Valeriya Volkova, BSc)

O que podemos fazer por hipermobilidade?

Os distúrbios da hipermobilidade são mais comuns entre os dançarinos do que o público em geral. Uma apresentação focou nos diagnósticos e abordagens de tratamento da Síndrome de Ehlers-Danlos, uma condição que afeta os tecidos conjuntivos e pode ter sérias implicações na saúde de um dançarino. Os sintomas incluem articulações excessivamente flexíveis e pele elástica. Os especialistas explicaram que a condição geralmente coexiste com a ansiedade e que o aconselhamento é parte integrante do tratamento. Eles sugerem que dançarinos hipermóveis tragam uma lista de sintomas ao médico com eles, se não puderem consultar um especialista. (Linda Bluestein, MD)

Como o perfeccionismo se desenrola na dança?

Várias apresentações focadas em pesquisas sobre o perfeccionismo na dança. Uma delas relatou que o perfeccionismo é "capital social" no ambiente da dança e que é "uma parte essencial da cultura do balé", com base em entrevistas com professores de dança em uma escola de ballet de elite no Reino Unido. Eles declararam: "O perfeccionismo está enraizado e incorporado como parte da identidade e dos valores dos professores de balé na cultura do balé". (Angela Pickard, PhD)


O treinamento de habilidades psicológicas pode melhorar o bem-estar dos dançarinos?

Estão tentando quantificar o impacto do treinamento de habilidades psicológicas (estabelecimento de metas, diálogo interno, imagens etc.) no bem-estar dos estudantes de dança. 127 alunos de um cenário de dança do conservatório no Reino Unido foram avaliados após as aulas exigidas no primeiro semestre. O estudo mostrou que, embora as estratégias de enfrentamento eficazes tenham sido usadas pelos dançarinos no primeiro semestre, no segundo semestre do ano, o uso dessas habilidades diminuiu junto com a sensação de bem-estar.  (Liliana Araújo, PhD)

Quão prevalente é o trauma na dança?

Um estudo na Califórnia analisou o efeito e a prevalência de trauma em 206 dançarinos contra 110 atletas tradicionais. Os dançarinos testaram a ansiedade clínica a uma taxa de 19,5 por cento em comparação com os 7 por cento dos atletas. Mais de 16% dos dançarinos sofreram abuso na infância, em comparação com 9,5% dos atletas. Trinta por cento dos dançarinos relataram ter sido vítimas de trauma adulto. Os dançarinos sofreram mais lesões do que os atletas e eram menos propensos a tirar uma semana de folga. (Paula Thomson, PsyD).

Esperamos que estes estudos possam ter te ajudado a repensar algumas atitudes e condutas no universo da dança!

Até a próxima! 

 

Fonte: dancemagazine.com



 

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