20/11/2019 - 5 bailarinos negros que nos inspiram


Nosso objetivo hoje é demonstrar grandes profissionais da dança negros, em especial homens. Já que sabemos que - gênero e raça - são duas grandes barreiras que o mundo da dança ainda precisa superar. Para uma grande maioria a dança, ainda é coisa de menina, e se entrarmos no âmbito das clássicas modalidades, como o Ballet e o Jazz, percebe-se também uma evidente distinção de raça.'Você não vê bailarinos ou diretores negros no mundo', como bem pontuou Ingrid Silva, em entrevista com Pedro Bial. 

Optamos por escrever uma matéria leve, em que valorizasse os grandes profissionais negros do mundo dança. Mas, entendemos que é imprescindível não realizarmos uma autocrítica e repensarmos como que o racismo ainda está presente de forma gritante na dança (sabemos que só recentemente - depois de 200 anos - criaram sapatilhas para bailarinas(os) negras. Mais que isso, precisamos refletir sobre medidas para mudarmos esse cenário. Quais atitudes nós podemos tomar para mudar essa situação? Convidamos você, bailarino(a), diretor(a), coreógrafo(a) branco(a) a refletir conosco!

Neste segundo momento queremos te convidar a mergulhar na história e se inspirar com alguns nomes de bailarinos(as) negros(as) que nós amamos! 

1- Ismael Ivo 

 Nascido na Vila Ema, Zona Leste de São Paulo, foi criado apenas pela mãe. Ivo afirma que sua mãe foi a grande incentivadora para que enfrentasse os desafios. Desde adolescente, interessava-se pela dança, e sabia que era a sua vocação. Conseguiu bolsas de estudos em escolas de dança moderna e conseguiu integrar o corpo de dançarinos do Teatro de Dança Galpão em São Paulo. O coreógrafo Klauss Vianna o levou para integrar o grupo experimental de dança do Teatro Municipal, onde ficou durante um ano.

Em 1983, durante uma apresentação solo na Bahia, conheceu o coreógrafo norte-americano Alvin Ailey, que se interessou pelo seu trabalho e lhe abriu as portas para uma carreira internacional. Ivo mudou-se para o exterior e, em 1984, fundou juntamente com o diretor artístico Karl Regensburger, o festival de dança contemporânea ImPulsTanz em Viena, considerado um dos maiores festivais internacionais de dança da Europa. Também trabalhou com a coreógrafa e diretora de balé alemã Pina Bausch, com o coreógrafo norte-americano William Forsythe e com a performer sérvia Marina Abramovic. Ivo foi diretor da Bienal de Veneza e o primeiro negro e estrangeiro a dirigir o Teatro Nacional Alemão, em Weimar. Entre Estados Unidos e Europa, viveu fora do Brasil durante 33 anos.

Depois de um convite da Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo, mudou-se de Berlim para São Paulo em 2017 para dirigir o Balé da Cidade de São Paulo, sendo o primeiro negro a ocupar o cargo. Segundo a professora do Instituto de Artes da Unicamp, Cássia Navas, Ismael Ivo "mantém a tradição de trazer criações de nomes internacionais consolidados, mas abre chances para o novo. Sua arte foi validada em vários lugares do mundo e, ao vir para cá, ele coloca o balé em uma rede muito potente. Torna-se um mediador".

Ismael Ivo também é o curador do Programa de Qualificação em Artes de Dança de São Paulo. Em 2018 visitou com sua equipe, vários grupos de dança por cidades paulistas, onde deu palestras, fez apresentações e orientou os processos técnicos de criação.

2- Ingrid Silva

“Eu sempre achei que a dança era um sonho meu e agora eu estou muito feliz de poder compartilhar um pouco da minha vida e do meu mundo com você. A dança realmente mudou a minha vida.”

Ingrid Silva nasceu no Rio de Janeiro, Brasil. Iniciou no balé aos 8 anos no Projeto Dançando Para Não Dançar e continuou seus estudos na Escola de Danca Maria Olenewa e no Centro de Movimento Debora Colker com bolsa integral. Aos 17 anos, juntou-se ao Grupo Corpo como estagiária. Foi um aprendizado e tanto.

Após o Ensino Médio, ingressou no Centro Universitário da Cidade (Univercidade), mas acabou mudando seus planos ao ganhar uma bolsa de estudos em 2007 para o Dance Theatre of Harlem School. Era apenas o começo. Logo, ela se juntaria à companhia Dance Theatre of Harlem. Ingrid entrou para o Dance Theatre of Harlem's Dancing Through Barries Ensemble 2008. Dali, o próximo passo seria juntar-se à Dance Theatre Company em 2013. De lá para cá, foram muitas histórias e conquistas, passo a passo, e atualmente está em sua quinta temporada com a companhia. Como artista convidada, Ingrid atuou com o Dançando Para Não Dançar (Brasil), Armitage Gone! Dance (EUA), Francesca Harper Project (EUA). Também trabalhou com coreógrafos renomados como Arthur Mitchell, Donald Byrd, John Alleyne, Darrel Grand Moltrie, Francesca Harper, Robert Garland, David Fernandez, Carol Arrmitage, Deborah Colker, Rodrigo Pederneiras e muitos outros.

Com o Dance Theatre of Harlem, Ingrid teve a oportunidade de dançar papéis principais no Glinka pas de trios de George Balanchine e Agon, Robert Garland Return, Ulysses Dove Dancing on the Front Porch of Heaven, John Alleyne Far but Close. Também foi solista em Alvin Ailey's Lark Ascending, Donald Byrd’s Contested Space, Francesca Harper’s System, Darrel Grand’s Moultrie Vessels e Dianne McIntyre’s Change.

A dança a levou ainda mais longe: foi embaixadora cultural para os Estados Unidos ao dar workshops na Jamaica, em Honduras e em Israel. Participou do BrazilFoundation Gala em 2014 no Lincoln Center e foi destaque no filme Maré, Nossa História de Amor (Brasil). Recentemente, marcou presença na mídia nas revistas Vogue e Glamour no Brasil. Atualmente, Ingrid Silva é Embaixadora Global da Activia.

3- Ronald Sheick

Dançarino, professor e coreógrafo do Passinho. Ronald Sheick é nascido e criado na comunidade da Vila do João, Complexo da Maré, Rio de Janeiro, onde aos 13 anos conheceu a dança. Foi educado pelo Hip Hop e pelo Funk, misturado ao gingado de B-boy com a manha do Passinho. Profissionalmente, atuou no musical "Na Batalha", apresentado pela Nike, que o levou para grandes eventos como "Lincoln Center Out Of Doors", em Nova Iorque e o "Ted Global -Rio ,(RJ)". Hoje, compõe o corpo de dança da Cia #Passinho, com quem já se apresentou na Suíça e Colômbia, além de vários estados brasileiros. Em paralelo, Sheick ministra oficinas e aulas de dança, sobe ao palco com MC Carol e Leo Justi no "Have Baile". Foi jurado de grandes batalhas do Passinho uma delas realizada no evento "Rio H2K", se apresentou na abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 e é colaborador do Sindicato de Dança do Rio de Janeiro na categoria "Passinho". Já se apresentou internacionalmente diversas vezes, levando a cultura da favela e do passinho para o exterior. Hoje é dançarino do Grupo Heavy Baile. Além disso, Sheick é professor de Passinho do ClickOnDance!

4- Jonathan Neguebites

Sou Jonathan dos Santos, nome artístico Jonathan Neguebites. Em minha trajetória, carrego o título de Campeão de 4 batalhas: Batalha da Flupp no Morro dos Prazeres em 2012, batalha da Coca-cola no Batan em 2013, Desafio do Passinho Shopping Jardim Guadalupe em 2015 e Batalha dos Cria no Festival Hip Funk no Fumacê 2016. Atualmente faço parte como dançarino da festa Heavy Baile. Neguebites também ministra aulas de Passinho com o Sheick no ClickOnDance! 

 5- Tago Oli 

Bailarino desde os 10 anos de idade, Tago Oli é formado em teatro e estuda dancas urbanas onde ja passou por aulas de coreógrafos de grandes artistas como Beyoncé, Lady Gaga, Pussycat Dolls. As primeiras aparições como profissional foram no clipe do Rapper MV Bill e desde entao fez espetaculos de dança por todo Brasil, integrou ballet de cantoras brasileiras. Seu trabalho mais recente foi com Lorena Simspon. Viaja o Brasil performando e lecionando workshops. Coreografou o último show da cantora Lele no Rock In Rio. Tago também é nosso querido professor de Jazz Funk!

Inspirem-se!

Até próxima!

Fontes:

wikipedia/ismael ivo

http://www.ingridsilvaballet.com/sobre#/home-1

www.clickondance.com

 

 

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