31/07/2020 - O encontro da dança com a matemática no trabalho de Anne Teresa De Keersmaeker


Fase, uma dança minimalista de uma hora executada por De Keersmaeker e um parceiro, é considerado o ponto de partida do movimento de dança contemporânea que se desenvolveu na Flandres durante os anos 80. Em sua coreografia, De Keersmaeker explora a relação entre música e dança e visa articular os princípios básicos da composição musical, em vez de permitir que a dança ilustre simplesmente a música.

Anne Teresa De Keersmaeker focou, desde sempre, as suas coreografias na relação entre a dança e a música. Trabalhou com composições que abrangem um leque temporal que vai desde o final da Idade Média até ao século XX, estreou criações de George Benjamin, Toshio Hosokawa e Thierry De Mey e colaborou com  diversos músicos e ensembles. Apostou também em géneros diferentes, como o jazz, a música tradicional indiana e a música pop. De Keersmaeker tem uma grande afinidade com as composições de Steve Reich, tendo trabalhado com a sua música em peças como Fase (1983), Drumming (1998) e Rain (2011).

De Keersmaeker apresentou a sua primeira criação aos 20 anos, depois de ter estudado na Mudra, a escola do coreógrafo Maurice Béjart, em Bruxelas, e de ter passado uma temporada na Tisch School, em Nova Iorque. 'Fase, four movements to the music of Steve Reich' (1982) foi sua primeira obra.

O sucesso desta peça permitiu-lhe criar a sua própria companhia, Rosas, em 1983. A peça seguinte, 'Rosas danst Rosas', colocou imediatamente a pequena companhia no centro da criação contemporânea. Esta é talvez a sua coreografia mais conhecida e aquela que resume bem a estética de Anne Teresa - minimalista e repetitiva e, no entanto, apesar da estrutura rigorosa das peças, muito emocional. "Acima de tudo, no seu trabalho, a forma gera um significado", escreveu Anna Kisselgoff, crítica do The New York Times. É por isso que, mais do que minimalista, o seu trabalho é muitas vezes definido como expressionista.

A ideia de uma relação matemática entre música e dança costura uma identidade comum às coreografias. "Ao estabelecer uma relação com a matemática, ela cria uma lógica para os movimentos que não é ilustrativa, não se trata de um uso dramático ou psicológico", aponta Adriana Banana, diretora artística do FID

"Em Fase as interações entre música e dança são inteiramente baseadas em um paralelismo processual; parte-se de processos análogos e de uma temporalidade comum para construir as estratégias operacionais de cada uma das práticas artísticas. Nesse sentido, impera uma relação poética, pois não se trata de transposição de processos musicais para os processos coreográficos, mas de buscar um campo problemático e um repertório processual comum, a partir dos quais cada meio buscará suas próprias resoluções específicas."(CASTELLANI, Felipe Merker. Movimento, som e imagem – A poética de Anne Teresa De Keersmaeker e Thierry De Mey. Revista Vórtex, Curitiba, v.7, n.3, 2019, p.1-26765) 

 

Fontes:

https://www.dn.pt/dossiers/artes/anne-teresa-de-keersmaeker---artista-na-cidade/noticias/quem-e-anne-teresa-de-keersmaeker-2248278.html

http://periodicos.unespar.edu.br/index.php/vortex/article/viewFile/3206/2090

https://www.otempo.com.br/diversao/magazine/matematicas-do-corpo-e-do-som-1.353048

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