29/01/2019 - São Paulo Companhia de Dança apresenta “A quadratura do círculo” no Espaço Cultural Porto Seguro


A São Paulo Companhia de Dança, instituição do Governo do Estado de São Paulo e corpo artístico da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, gerida pela Associação Pró-Dança e dirigida por Inês Bogéa, deu início a “A quadratura do círculo”, uma série de apresentações performáticas, no Espaço Cultural Porto Seguro. A ação ocorre em meio à exposição “Meteorológica,” da dupla Detanico Lain, com curadoria de Rodrigo Villela, inaugurada no último dia 19 de janeiro.

A parceria entre as duas instituições se firma em torno de “Quadrado branco”, instalação em vídeo desenvolvida pela dupla e inspirada em três poesias de Kitasono Katuê, importante poeta das vanguardas japonesas do século XX. Adaptada para o espaço, onde ganha um ambiente imersivo, a obra é apresentada como um poema em movimento.

Com concepção coreográfica de Ricardo Gali e direção artística de Inês Bogéa, o ciclo performático que se soma à obra relaciona a poesia de Kitasono, marcada pela extrema síntese e por referências a diferentes tradições artísticas – tanto do Ocidente quanto do Oriente – e às potencialidades do corpo em movimento. O poeta japonês foi influenciado, entre outros, por vanguardas artísticas como o Dadaísmo e o Surrealismo, além de dialogar, na estrutura de seus poemas, com o que se tornaria o Construtivismo. Não por acaso, a dupla Detanico Lain teve contato pela primeira vez com a obra de Kitasono por meio de uma publicação dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos, dois dos principais representantes do movimento concretista no Brasil.

O ciclo de apresentações será sempre às quartas e sábados, até o dia 27 de fevereiro. Concebida como um trabalho mutável, bailarinos e coreógrafo continuarão trabalhando e propondo novas abordagens a cada apresentação. Gratuitas, as entradas serão disponibilizadas no site do Espaço Cultural Porto Seguro, sempre com dois dias de antecedência à sua realização.

Ao longo do processo, as performances e ensaios serão filmados e darão origem a um documentário que, por sua vez, integrará também a mostra.

Sobre a exposição

Tomar o mundo a partir dos próprios códigos de percepção e compreensão. Apropriar-se dos códigos e linguagens que nos cercam e deslocá-los, até mesmo subvertê-los, atribuindo a eles novas camadas de significados. Essas são algumas das características do trabalho da dupla Angela Detanico e Rafael Lain, artistas que adotam a linguagem como tema e objeto de sua obra.

Com curadoria de Rodrigo Villela, “Meteorológica” apresenta ao público paulistano um conjunto de 14 trabalhos, a maioria instalações inéditas, criadas a partir das mais variadas linguagens artísticas. Vídeos, textos, animações, objetos, esculturas e instalações se combinam, levando o visitante a refletir não apenas sobre temas diversos, mas sobre o processo de reflexão e constituição do conhecimento.

Primeira individual do casal em uma instituição em São Paulo, a exposição segue cartaz no Espaço Cultural Porto Seguro até 7 de abril.

Direção artística: Inês Bogéa – São Paulo Companhia de Dança
Concepção coreográfica: Ricardo Gali
Intérpretes criadores: Paula Alves e Matheus Queiroz
Curadoria: Rodrigo Villela
Em colaboração com Angela Detanico e Rafael Lain

Figurinos: UMA – Raquel Davidowicz

SERVIÇO

Meteorológica, mostra de Angela Detonico e Rafael Lain
Local: Espaço Cultural Porto Seguro
Endereço: Alameda Barão de Piracicaba, 610 – Campos Elíseos – São Paulo
Período expositivo: de 19 de janeiro até 7 de abril

Visitação: de terça a sábado, das 10h às 19h; domingos e feriados, das 10h às 17h
Entrada gratuita

Performances de dança

Início das apresentações: no feriado, 25 de janeiro: às 16h e 16h45
Sessões regulares*: quartas, às 19h e 19h45; sábados, às 16h e 16h45
Lotação: 30 lugares por sessão
Ingressos: gratuitos, pelo link: http://www.espacoculturalportoseguro.com.br/programacao/em-cartaz/2019/a-quadratura-do-circulo.html (disponibilizados com 2 dias de antecedência)

*Não haverá sessão no sábado, 26 de janeiro

SOBRE

São Paulo Companhia de Dança (SPCD) foi criada em janeiro de 2008 pelo Governo do Estado de São Paulo. É um corpo artístico da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado, gerido pela Associação Pró-Dança e dirigido por Inês Bogéa. A São Paulo é uma Companhia de repertório, ou seja, realiza montagens de excelência artística, que incluem trabalhos dos séculos 19, 20 e 21 de grandes peças clássicas e modernas a obras contemporâneas, especialmente criadas por coreógrafos nacionais e internacionais. A difusão da dança, produção e circulação de espetáculos é o núcleo principal de seu trabalho. A SPCD apresenta espetáculos de dança no Estado de São Paulo, no Brasil e no exterior e é hoje considerada uma das mais importantes companhias de dança da América Latina pela crítica especializada. Desde sua criação, já foi assistida por um público superior a 660 mil pessoas em 17 diferentes países, passando por mais 136 cidades, em mais de 860 apresentações. Desde sua criação, a Companhia já acumulou 21 prêmios, nacionais e internacionais. Além da Difusão e Circulação de Espetáculos, a SPCD tem mais duas vertentes de ação: os Programas Educativos e de Formação de Plateia e Registro e Memória da Dança.

Inês Bogéa (Direção artística – SPCD) é doutora em Artes pela Unicamp. É bailarina, documentarista e escritora. Professora no curso de especialização Arte na Educação: Teoria e Prática da Universidade de São Paulo (USP). De 1989 a 2001, foi bailarina do Grupo Corpo (Belo Horizonte). Entre 2001 e 2007, foi crítica de dança da Folha de S.Paulo. É autora de diversos livros infantis e organizadora de vários livros. Na área de arte-educação foi consultora da Escola de Teatro e Dança Fafi (2003-2004) e consultora do Programa Fábricas de Cultura, da Secretaria da Cultura do Estado (2007-2008). É autora de mais de quarenta documentários sobre dança.

Ricardo Gali é diretor da companhia de dança e artes performativas Perversos Polimorfos. Formado pela EAD – Escola de Arte Dramática-ECA-USP, estudou inicialmente no Centro de Pesquisa Teatral, coordenado por Antunes Filho para aos poucos se voltar para a dança. Cursou audiovisual na FMU/SP e estudou fotografia com Carlos Moreira e Regina Martins – linguagens sempre em diálogo com suas criações. Sob sua direção, a Perversos Polimorfos, em 10 anos, conquistou importante espaço na cena contemporânea de pesquisa em dança e artes performativas, com mais de dez trabalhos, incluindo apresentações e parcerias internacionais, principalmente com a Alemanha.

Angela Detanico e Rafael Lain trabalham juntos desde 1996. Semiologista e designer gráfico, nascidos respectivamente em 1974 e 1973, em Caxias do Sul (RS), moram e atuam em Paris. Seus trabalhos, em grande parte conceituais, mesclam gráficos, textos, sons e vídeos, quase sempre imbuídos de referências científicas, matemáticas e literárias. Em 2002, a dupla participou de uma residência artística na capital francesa, no Palais de Tokyo e, em 2004, venceu o Nam June Paik, um dos mais prestigiados prêmios internacionais. No mesmo ano, Angela e Rafael participaram da Bienal de São Paulo, feito que se repetiu nas duas edições seguintes, em 2006 e 2008. Nesse meio tempo, em 2007, representaram o Brasil na 52ª Bienal de Arte de Veneza.

No Brasil, o casal já participou de uma série de exposições coletivas, a exemplo de Ready Made in Brasil (2017)no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo; e Manifesto Gráfico (2017), no próprio Espaço Cultural Porto Seguro. Entre as individuais, uma série delas na Galeria Vermelho, que os representa; e Alfabeto Infinito (2013), realizada na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre.

 

Voltar