22/04/2021 - Coletivo Desvio Padrão apresenta peças de teatro-dança sonora e em Libras no Teatro Sérgio


Nos dias 24 e 25 de abril, sábado e domingo, às 16h, duas obras criadas pelo  Coletivo Desvio Padrão serão transmitidas ao público do palco do Teatro Sérgio Cardoso, equipamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e gerido pela Amigos da Arte.

No dia 24, será apresentado Só se fechar os olhos, espetáculo narrado que propõe um mergulho no mundo dos sons. Já no dia 25, haverá apresentação de Para além do gesto, a versão do trabalho de dança apresentado no dia anterior pensado para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). As obras podem ser assistidas gratuitamente mediante envio de email para desviopadraocoletivo@gmail.com. O link para exibição, veiculada via Google Meet, será enviado para cada espectador.

Desvio Padrão é um coletivo composto por pessoas que transitam nas pontas da curva normal – cegos, videntes, surdos e ouvintes atuantes no campo da cultura como artistas, técnicos e/ou produtores. Hoje em dia, o trabalho do grupo inclui:

1) elaborar e oferecer cursos, laboratórios e oficinas,
2) oferecer formação e sensibilização para equipes;
3) produzir conteúdo artístico digital com foco na pluralidade de público;
4) criar e produzir espetáculos comprometidos com a pluralidade de artistas no palco e de público na plateia,
5) traçar planos de acessibilidade para eventos culturais oferecendo recursos que alguns públicos necessitam para acessar e fruir, como intérpretes de LIBRAS, pranchas de comunicação ou audiodescrição.

Mais informações: https://coletivodesviopadrao.wixsite.com/desviopadrao

Só se fechar os olhos

Com concepção e performance de Maria Fernanda Carmo e Mariana Farcetta, Só se fechar os olhos é um duo de dança que convida o público a fechar os olhos e também envolver os que já estão privados da visão. O texto que descreve essa dança, narrado com delicadeza sobre camadas de música, sons e ruídos, é escrito por Edgar Jacques – ator e dramaturgo, cego desde a infância.

Quando se fecha os olhos e se abre os ouvidos, um mundo novo se apresenta. Só se fechar os olhos nasceu no final de 2019, concebido para acontecer no palco. Com a pandemia e as consequentes práticas do isolamento social, o Coletivo criou uma versão sonora do espetáculo, levando ao extremo o conceito da proposta – ali, toda a experiência se dá por meio da escuta.

A audiodescrição consiste na tradução do mundo visual em palavras. Pode ser utilizada em situações diversas – para descrever ambientes, pessoas, objetos, cenas, filmes, espetáculos, exposições, etc. Assim, esse recurso permite, por exemplo, que pessoas cegas e com baixa visão possam, a partir da escuta, criar e construir imagens para compreender a dimensão visual das experiências que vivem.

Após a transmissão, acontece um bate-papo com Jefferson Fernandes, pedagogo, mestre em Ciências Sociais e doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. É membro dos Programas de Pós-Graduação em Educação e em Artes Cênicas da UFRN e orienta e pesquisa na interface Arte, Deficiência e Acessibilidade, com ênfase na relação Teatro e Deficiência Visual.

Sinopse 

Duas rainhas – opostas mas complementares – descobrem movimentos possíveis para além da norma. Se o espectador fechar os olhos e abrir os ouvidos, ele as vê. E elas dançam. Com concepção e performance de Maria Fernanda Carmo e Mariana Farcetta, ‘Só se fechar os olhos’ é uma experiência sinestésica que resulta da colaboração entre a mente do espectador e o fluxo incontrolável de uma coreografia. O texto que descreve essa dança inusitada, escrito por Edgar Jacques – ator e dramaturgo cego desde a infância – é narrado sobre trilha sonora original executada por Enrique Menezes (composição e viola caipira) e Rafael Ramalhoso (violoncelo).

Ficha Técnica

Só se fechar os olhos é uma criação conjunta de Edgar Jacques, Enrique Menezes, Maria Fernanda Carmo e Mariana Farcetta
Concepção e Performance: Maria Fernanda Carmo e Mariana Farcetta
Texto, coreografia e direção de narração: Edgar Jacques
Narração: Maria Fernanda Carmo
Composição e viola caipira: Enrique Menezes
Violoncelo: Rafael Ramalhoso
Sonorização: Maria Fernanda Carmo e Enrique Menezes
Figurino: Mariana Farcetta
Maquiagem: Felipe Ramirez
Operação de luz: Fernando Melo
Câmeras: Thamires Mulatinho
Edição de vídeo: Enrique Menezes

Para além do gesto

Em 2021, por meio do Pre^mio Festival Funarte Acessibilidanc¸a Virtual 2020 e do Edital Proac LAB de Produc¸a~o de Danc¸a, o Coletivo criou uma versa~o em Libras do espeta´culo Só se fechar os olhos, que ganhou o nome de Para ale´m do gesto. A versa~o foi produzida em parceria com a FFomin Acessibilidade e Libras, com produc¸a~o de Libras de Va^nia Mantovan e Carol Fomin, que junto a's inte´rpretes Claudia Ferreira e Thalita Passos traduziram e transcriaram para li´ngua de sinais o texto de Edgar Jacques, que Nayara Silva e Catharine Moreira – tambe´m atuantes no processo traduto´rio – performam em cena.

Se na obra original o espectador e´ convidado a co-criar deixando emergir sua pro´pria produc¸a~o image´tica a partir de elementos sonoros, na versa~o em libras o espectador usua´rio de li´ngua de sinais e´ igualmente convidado a imaginar a partir da narrac¸a~o cheia de expressividade de duas atrizes surdas em cena.

A definic¸a~o do formato da nova versa~o provocou um dilema – se a obra original propo~e justamente que o espectador, se vidente, suprima a visa~o para fruir verdadeiramente da experie^ncia, se o objetivo ali e´ provocar a criac¸a~o de imagens a partir da narrac¸a~o e outros elementos sonoros, como criar uma versa~o em Libras, direcionada a um pu´blico que na~o escuta, que na~o pode fechar os olhos como pede o nome do espeta´culo original?

A escolha foi manter a narrac¸a~o como elemento central – as performers em cena narram a danc¸a, na~o a executam – e trazer, nos movimentos de ca^mera e na edic¸a~o, alguns elementos visuais que compusessem com a narrativa.

Após a transmissão, acontece um bate-papo com Leo Castilho, artista, educador e produtor cultural. Ex-diretor de cultura da Associação de Surdos de São Paulo – ASSP, desde 2005 trabalha no setor educativo MAM-SP, onde atualmente atua como produtor de Acessibilidade e assistente do Programa Igual Diferente. Desde 2008 é integrante do Corposinalizante, projeto que recebeu alguns prêmios, como o 1o lugar no Prêmio Darcy Ribeiro 2009 (IPHAN/MinC). Performer e ator em teatro e TV, MC do Slam do Corpo, Idealizador e responsável pela equipe Vibração e Sencity, evento cultural e internacional que reúne em torno de mil pessoas surdas de todo o Brasil e América do Sul.

Sinopse 

Duas rainhas – opostas mas complementares – descobrem movimentos possi´veis para ale´m da norma. Se o espectador transcender o gesto, ele as ve^. E elas danc¸am. Com performance de Nayara Silva e Catharine Moreira, Para ale´m do gesto e´ a versa~o em Libras do espeta´culo So´ se fechar os olhos, do Coletivo Desvio Padra~o. Se na obra original o espectador e´ convidado a co-criar deixando emergir sua pro´pria produc¸a~o image´tica a partir de elementos sonoros, na versa~o em libras do espeta´culo o espectador usua´rio de li´ngua de sinais e´ igualmente convidado a imaginar e criar, a partir da narrac¸a~o cheia de expressividade de duas atrizes surdas em cena.

Ficha Técnica

Para Além do Gesto é uma criação conjunta de Edgar Jacques, Enrique Menezes, Maria Fernanda Carmo e Mariana Farcetta
Concepção: Maria Fernanda Carmo e Mariana Farcetta
Texto: Edgar Jacques
Composição e viola caipira: Enrique Menezes
Violoncelo: Rafael Ramalhoso
Sonorização: Maria Fernanda Carmo e Enrique Menezes
Produção de Libras: Fomin Acessibilidade e Libras Ltda – Carol Fomin e Vânia Mantovan
Performance de Libras: Catharine Moreira e Nayara Silva
Intérprete de Libras: Carol Fomin, Claudia Ferreira e Thalita Passos
Figurino: Mariana Farcetta
Maquiagem: Felipe Ramirez
Operação de luz: Fernando Melo
Câmeras: Thamires Mulatinho
Edição de vídeo: Maria Fernanda Carmo

Sobre o Teatro Sérgio Cardoso

Localizado no boêmio bairro paulistano do Bixiga, o Teatro Sérgio Cardoso foi inaugurado em 13 de outubro de 1980, com uma homenagem ao ator. Na ocasião, foi encenado um espetáculo com roteiro dele próprio, intitulado “Sérgio Cardoso em Prosa e Verso”. No elenco, a ex-esposa Nydia Licia, Umberto Magnani, Emílio di Biasi e Rubens de Falco, sob a direção de Gianni Rato. A peça “Rasga Coração”, de Oduvaldo Viana Filho, protagonizada pelo ator Raul Cortez e dirigida por José Renato, cumpriu a primeira temporada do teatro. Em 2020, o TSC cumpriu 40 anos de atividades, tendo recebido temporadas importantes de todas as linguagens artísticas e em novos formatos de transmissão, se consolidando como um dos espaços cênicos mais representativos da cidade de SP.

Sobre a Amigos da Arte

A Amigos da Arte, Organização Social de Cultura responsável pela gestão do Teatro Sérgio Cardoso, trabalha em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e iniciativa privada desde 2004. Música, literatura, dança, teatro, circo e atividades de artes integradas fazem parte da atuação da Amigos da Arte, que tem como objetivo difundir a produção cultural por meio de festivais, programas continuados e da gestão de equipamentos culturais públicos como o Museu da Diversidade Sexual e o Teatro Estadual de Araras.

Foto: Coletivo Desvio Padrão / Crédito da imagem: Divulgação 

SERVIÇO

  • Só se Fechar os Olhos  

Data: 24 de abril, sábado
Horário: às 16h, seguido por bate-papo com Jefferson Fernandes
Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito | Inscrições para envio do link do espetáculo através do e-mail desviopadraocoletivo@gmail.com | Google Meet

  • Para Além do Gesto

Data: 25 de abril, domingo
Horário: às 16h, seguido por bate-papo com Leo Castilho
Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito | Inscrições para envio do link do espetáculo através do e-mail desviopadraocoletivo@gmail.com | Google Meet

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