14/05/2021 - Pessoas com deficiência fazem parte do seu universo da dança? Um debate sobre a inclusão de bailarinos com deficiência


Para quem você trabalha? Quem atua no seu trabalho?

Vamos ser francos. Você imagina as pessoas com deficiência como parte do seu mundo?

Provavelmente, as pessoas com deficiência já estão em seu público, em suas aulas, possivelmente em sua equipe, talvez até mesmo em sua empresa. Mas você os imagina lá com você? Você já parou pra pensar que quase sempre quando pensamos em pessoas com deficiência nos vem a imagem estereotipada de cadeirantes - você está ciente da rica cultura interseccional da própria deficiência?

À medida que a pandemia se espalhava, fui convidado para vários espaços diferentes para compartilhar minha perspectiva como um artista com deficiência

"Deficiência" não é uma palavra da moda ou um momento isolado que irá desaparecer. Não é uma única narrativa enraizada no déficit médico do corpo ou da mente. Você pode encontrar o trabalho de artistas com deficiência no campo da dança fisicamente integrada, nas formas recentemente reemergentes das artes da deficiência e, bem, em qualquer lugar no campo, dentro ou fora do palco, administração ou artes, produção e técnica.

Estamos aqui. Eduque-se. A dança fisicamente integrada tem mais de 40 anos. O que você sabe dessa história? Quantos artistas deficientes você pode citar? Você consegue diferenciar tradição de inovação, influência e legado? Se você apenas sabe como julgar nosso trabalho com referência a narrativas de artistas com deficiência "dançando através da deficiência", "apesar da deficiência", "superando a deficiência", você está anos-luz atrás das vanguardas do campo da dança moderna, muito menos do vanguarda criada por meus brilhantes colegas e amigos.

Você sabe como traduzir suas danças e vídeos em palavras, de forma que um membro do público cego ou não visual possa sentir o poder e o impacto de seu trabalho?

O acesso não é uma lista de verificação; Eu não posso te dizer o que fazer. O conhecimento existe e já existe há muito tempo. Pode ser que você esteja começando a ter a ideia de descrever suas imagens ou usar texto alternativo no Instagram, ou pode apenas ter se acostumado a ver um intérprete de ASL em sua chamada do Zoom. Mas isto não é o suficiente.

Quem é responsável por criar um ambiente agregador das diferenças? Todos nós somos. Isso significa apresentadores, financiadores, educadores, administradores, pessoal técnico e de produção e, sim, artistas.

É preciso mudar para que possamos compartilhar o mundo de maneira igualitária com os outros.

A justiça interseccional para deficientes está chamando. Você vai responder?

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